sexta-feira, 11 de abril de 2008

Crônicas sobre um barzinho e um violão

Lá vem o garçom, trazendo um guardanapo. Acho que já sei o que vem. “Toca Chão de Giz”. Ah, não!

Situações como essa, que se repetem com certa constância na vida de um músico de bar, acabam por criar na cabeça do sujeito uma verdadeira aversão a algumas pérolas do cancioneiro popular. Com todo respeito ao Zé Ramalho, no meu caso e de meu parceiro musical na época, o Sérgio, o problema foi com “Chão de Giz”. E o pior era a repetição da cena: normalmente final de noite, a gente já se preparando pra encerrar, e vem o pedido, daquele camarada que parece querer entornar até o último gole de qualquer bebida disponível no bar. Se a gente toca, é capaz do sujeito nem ouvir direito...

Até hoje não tivemos o ímpeto de aprender a tocar a tal canção, só de birra. O negócio é sério.

Um dia desses conversando com dois companheiros de profissão, descobri que não somos só nós que temos problema com essa música. Coincidência, pode ser, mas o fato é que a gente às vezes fica incomodado com a falta de interesse do público de bar em fugir um pouco do mais do mesmo, os pedidos geralmente são sempre iguais. Tem até uma piadinha entre a galera que gosta de se reunir pra formar uma roda de violão, que proíbe certas músicas no repertório...

Enfim, nada contra os músicos que preferem fazer a vontade da nação, eu já prefiro desafiar um pouco, tocar alguma coisa não muito conhecida, e quando dá pra perceber alguém me acompanhando na letra a satisfação é enorme. Sinal de que nem tudo está perdido!

Claro que não dá pra fazer isso o tempo todo. Senão a gente ganha fama de antipático. Sem falar que é chato pra caramba ficar tocando horas e ninguém prestando atenção. Músico de bar também sofre de carência!

Falando nisso, cadê o cara que queria ouvir “Chão de Giz”?

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